1 de janeiro de 1980

“Seca molhada”

1980
RIBEIRO, João Ubaldo, “Seca molhada”, Folha de S. Paulo, São Paulo, 1980.

JUR: "O problema do Nordeste não é a seca. O problema do Nordeste, infelizmente, é que, em última análise e da mesma forma que acontece com todas as iniquidades geradas e mantidas pelo homem, alguém continua levando vantagem, em toda a situação. O resto, por mais elaborado que seja, não passa de mistificação e demagogia”.

15 de outubro de 1979

“Fábula contra a burrice e a opressão"

1979-10-15
RIBEIRO, João Ubaldo, “Fábula contra a burrice e a opressão — Uma sátira doce e amarga”, Leia Livros, ano II, no 18, 15 out. a 14 nov. 1979 (resenha sobre Farda fardão camisola de dormir).

JUR: “Mestre Jorge Amado, 50 anos de militância, mais de vinte livros nas costas, milhões de volumes vendidos em todo o mundo, podia permitir-se escrever um romance simplesmente por diversão. (...) ... Jorge Amado tem sido visto, notadamente por críticos de direita, como Wilson Martins, e por todo o reacionarismo instalado num sistema educacional voltado para a preservação das elites econômicas (e seus jograis intelectuais) como uma espécie de estrangeiro. Disse o crítico Renato Pompeu, em frase muito feliz (Veja, no 576, p. 92), que ‘tais intelectuais costumam comportar-se diante da obra de Jorge Amado, como o europeu que pela primeira vez ouve uma batucada’. Simplesmente porque — simplificando um pouco as coisas, é claro — tanto se ‘internacionalizaram’ (ou seja, se entregaram, em todas as frentes) os nossos maiores centros urbanos e culturais, que a parte da cultura brasileira que, por causa do atraso e isolamento, se preservou, passou a ser vista como turística”.

“João Ubaldo depõe sobre Jorge Amado”: “Lembro duns versos que ouvi, num dia em que estávamos comentando o artigo de um jornalista cujo nome esqueço, artigo este que falava em como os baianos eram insuportáveis e em como Jorge não escrevia bem. Um homem que vendia versos, como até hoje se vende na Bahia, mercadoria fresca e individualizada, cantou:

‘Como pode Jorge Amado escrever mal,
se ele tem molejo natural?’".

26 de setembro de 1979

“Chico Anísio — Proteger o artista não é dar TV pro Silvio Santos”

1979-09-26
CASTRO, Tarso de; RIBEIRO, João Ubaldo; PEDRO, A., “Chico Anísio — Proteger o artista não é dar TV pro Silvio Santos” (entrevista a Chico Anísio), Enfim, ano I, no 3, Rio de Janeiro, 26 set. 1979.

Chico Anísio: “O brasileiro adora destruir um ídolo. Desde 68 que dizem que o Roberto Carlos acabou. Só que esqueceram de avisar para ele".

JUR: “É, Jorge Amado...”.

“Chico Anísio — Proteger o artista não é dar TV pro Silvio Santos”

1979-09-26
CASTRO; Tarso de; RIBEIRO, João Ubaldo; PEDRO, A., “Chico Anísio — Proteger o artista não é dar TV pro Silvio Santos” (entrevista a Chico Anísio), Enfim, ano I, no3, Rio de Janeiro, 26 set. 1979.

JUR: “Como é que você imagina a sua imagem para o povo brasileiro, você tem uma ideia de como eles pensam de você?...”

CA: “Ah, eles olham para mim e dão risadas”.

JUR: “Existe um problema na cabeça das pessoas (...), que é achar que o que se faz como humorista não é sério...”

6 de setembro de 1979

“Eu sou Jorge Amado — Torga e Namora para o Nobel”

1979-09-06
AZEVEDO, Domingos de, “Eu sou Jorge Amado — Torga e Namora para o Nobel”, Tempos Magazine, 6 set. 1979.

DA: “A France Presse promoveu um inquérito para verificar a projeção da literatura latino-americana na Europa. Deu como resultado que entre os escritores mais destacados se encontram o colombiano Gabriel García Marques; os mexicanos Juan Rulfo, Carlos Fuentes e Octávio Paz; o uruguaio Juan Carlos Ornetti; o argentino Jorge Luis Borges; o peruano Mario Vargas Llosa; o venezuelano Otero Silva; e o brasileiro Jorge Amado”.

Jorge Amado: “Sobre o Nobel, minha opinião é conhecida: a ser concedido a um brasileiro, o justo será conferi-lo ao poeta Carlos Drummond de Andrade. Sei que ele não o disputa e até se incomoda com o ruído feito em torno do seu nome sobre tal assunto — mas, se me perguntam, devo dar a minha opinião”.

1 de janeiro de 1978

“João Ubaldo Ribeiro”

1978
“João Ubaldo Ribeiro”. Contemporary Authors, 1978.

Ribeiro felt that it would be arrogant to give CA any details about himself, and chose instead to comment on the vast differences between the cultures of Brazil and the United States:

JUR: "I am not fascinating. I am lonely and frustrated. I live in a nation with 110 million people. Most of these people are presently living in conditions that would be unbelievable to you. I have a culture and a heritage. I have a language. I have seem your movies and I have learned your songs. You know nothing about mine. I know little sounds that are unknown to you, and you know little sounds that are unknown to me. I belong in the same tradition as you do; I am Western and came from Iberia and Africa and America. But also I am Brazilian and you are American. Let us try to understand each other".

16 de novembro de 1977

“Novenário do malpensar e da mistificação”

1977-11-16
RIBEIRO, João Ubaldo, “Novenário do malpensar e da mistificação”, 2o Caderno, Tribuna da Bahia, Salvador, 16 nov. 1977, p. 9.

JUR: “Todas as causas da Ignorância são políticas, inclusive a Burrice. (...) O produto da Ignorância e da Burrice é o malpensar”. (...) O problema político é fazer do Estado Brasileiro o Estado dos Brasileiros. Isto não é gratuito, porque é uma questão de Sobrevivência. A Sobrevivência ocorre quando se preserva a Identidade. Quando não se preserva a Identidade, a Sobrevivência é a do Outro. Não adianta sobreviver usando a cara do Outro, pois cada ser é responsável somente pela sua Cara”.