1989-01-12
CARVALHO, José Reinaldo, “João Ubaldo indaga sobre a alma humana — No dia 21 de dezembro, primeiro do verão, o escritor João Ubaldo Ribeiro recebeu a reportagem da Classe na ilha de Itaparica (Bahia), ‘a terra mais brasileira que existe’, como diz um de seus personagens. Mais do que uma entrevista, o encontro com o criador de Sargento Getúlio e Viva o povo brasileiro foi um papo ameno, num banco da praça da Quitanda, num intervalo entre a cotidiana pescaria e o diurno trabalho para terminar o seu novo livro, O sorriso do lagarto, prometido para este ano”, A Classe Operária, 12 a 25 jan. 1989.
JRC: “Você acha que em Viva o povo brasileiro descobriu a alma do povo brasileiro? Foi isso que você perseguiu?"
JUR: “... eu tive o cuidado de evitar isso. Eu não me oponho a que se diga isso, nem acho ofensivo dizer que eu descobri a alma do povo brasileiro, mas não foi essa a minha intenção. (...) eu imagino que o leitor possa sentir isso, depois de ter lido o livro achar que compreendeu o povo, sua alma no sentido de entender a sua maneira de ser (...). Mas a expressão ‘alma do povo’, ‘espírito do povo’, é uma expressão associada com o nacionalismo de direita. Quer dizer, é a expressão Volk Geist em alemão, muito usada pelo nazismo, que quer dizer precisamente isto — espírito do povo. Eu não pensei nunca num negócio nacionalista. Eu fiz uma coisa sobre minha comunidade”.
12 de janeiro de 1989
1 de dezembro de 1988
“Do Brasil... e de Portugal"
1988-12-01
OLIVEIRA DIAS, Domingos de (EUA), “Do Brasil... e de Portugal – ouvindo João Ubaldo Ribeiro”, Letras e Letras, n. 12, 1 dez. 1988 (sobre palestra de João Ubaldo no Centro de Estudos Luso-Brasileiros da Universidade de Brown).
JUR: “De facto, não há nada que eu possa fazer pelo meu país senão escrever em ordem a denunciar e a clarificar, ou (e pede desculpa pela tautologia) seja: identificar a nossa identidade”.
OLIVEIRA DIAS, Domingos de (EUA), “Do Brasil... e de Portugal – ouvindo João Ubaldo Ribeiro”, Letras e Letras, n. 12, 1 dez. 1988 (sobre palestra de João Ubaldo no Centro de Estudos Luso-Brasileiros da Universidade de Brown).
JUR: “De facto, não há nada que eu possa fazer pelo meu país senão escrever em ordem a denunciar e a clarificar, ou (e pede desculpa pela tautologia) seja: identificar a nossa identidade”.
8 de maio de 1988
“Itaparica, o sorriso de João”
1988-05-08
GIRON, Luís Antônio, “Itaparica, o sorriso de João”, O Estado de S. Paulo, São Paulo, 8 mai. 1988.
JUR: “Não acredito em entidades mitológicas como África e América Latina. Não passam de categorias redutoras para facilitar o colonialismo”.
GIRON, Luís Antônio, “Itaparica, o sorriso de João”, O Estado de S. Paulo, São Paulo, 8 mai. 1988.
JUR: “Não acredito em entidades mitológicas como África e América Latina. Não passam de categorias redutoras para facilitar o colonialismo”.
28 de novembro de 1987
“A odisseia do lobo da ilha"
1987-11-28
MORAES NETO, Geneton de, “A odisseia do lobo da ilha — João Ubaldo Ribeiro traduz Viva o povo brasileiro para o inglês e prepara um novo romance, O sorriso do lagarto”, Entrevista, Caderno Ideias, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 28 nov. 1987.
GMN: “O Brasil é um país que vive uma crise crônica de identidade. Escrever livros como Viva o povo brasileiro é uma maneira de exorcizar essa crise?".
JUR: “Você já coloca uma premissa sobre a crise de identidade. Acontece que não acho que o Brasil viva uma crise de identidade permanente. (...) Não escrevi pensando na identidade nacional nem em coisa nenhuma. Eu escrevi, simplesmente. E o que resultou? Uma outra coisa. Não sei o que é. Não é uma tentativa de entender o Brasil. (...) Eu poderia mentir a você abundantemente sobre o que resultou a partir do que os outros escreveram e pensaram. Mas é só um romance”.
MORAES NETO, Geneton de, “A odisseia do lobo da ilha — João Ubaldo Ribeiro traduz Viva o povo brasileiro para o inglês e prepara um novo romance, O sorriso do lagarto”, Entrevista, Caderno Ideias, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 28 nov. 1987.
GMN: “O Brasil é um país que vive uma crise crônica de identidade. Escrever livros como Viva o povo brasileiro é uma maneira de exorcizar essa crise?".
JUR: “Você já coloca uma premissa sobre a crise de identidade. Acontece que não acho que o Brasil viva uma crise de identidade permanente. (...) Não escrevi pensando na identidade nacional nem em coisa nenhuma. Eu escrevi, simplesmente. E o que resultou? Uma outra coisa. Não sei o que é. Não é uma tentativa de entender o Brasil. (...) Eu poderia mentir a você abundantemente sobre o que resultou a partir do que os outros escreveram e pensaram. Mas é só um romance”.
30 de maio de 1987
“O jovem João Ubaldo, raivoso”
1987-05-30
AIDAR, José Luiz, “O jovem João Ubaldo, raivoso”, Jornal da Tarde, São Paulo, 30 mai. 1987.
JLA: “O Brasil, para ele, é país desconhecido".
JUR: "Se você ouvir o depoimento de um nordestino a respeito do que acontece no interior do Maranhão, no interior do Piauí, no interior da Bahia, no interior de Sergipe, você pensa que realmente ele está inventando coisas, inclusive porque esse tipo de coisa é encorajado. A descrença em torno desse tipo de depoimento é encorajada porque, no tipo de situação que vivemos hoje em dia, não se quer saber da existência, por exemplo, de focos de rebeldia (entrevista de 1977)”.
AIDAR, José Luiz, “O jovem João Ubaldo, raivoso”, Jornal da Tarde, São Paulo, 30 mai. 1987.
JLA: “O Brasil, para ele, é país desconhecido".
JUR: "Se você ouvir o depoimento de um nordestino a respeito do que acontece no interior do Maranhão, no interior do Piauí, no interior da Bahia, no interior de Sergipe, você pensa que realmente ele está inventando coisas, inclusive porque esse tipo de coisa é encorajado. A descrença em torno desse tipo de depoimento é encorajada porque, no tipo de situação que vivemos hoje em dia, não se quer saber da existência, por exemplo, de focos de rebeldia (entrevista de 1977)”.
24 de abril de 1987
“Viva o povo brasileiro pra inglês ler”
1987-04-24
GUSMÃO, Marcos & FREIRE, Alberto, “Viva o povo brasileiro pra inglês ler”, Caderno 2, A Tarde, Salvador, 24 abr. 1987.
JUR: “... aqui se fala pouco de mim mesmo. Eu mostro a vocês mais recortes a meu respeito em Londres, onde não sou grande sucesso (risos), do que aqui (...)”.
MG e AF: “Suas obras têm sido objeto de inúmeras teses de mestrado e doutorado. Como você vê estes trabalhos?”.
JUR: “Às vezes, é interessante, quando não é esterilizante. Uma obra literária é uma coisa viva. Por mais que esteja morto o autor e que o livro seja um objeto inanimado, toda pessoa que lê constrói e vive aquilo. Quando encaram o livro como um patologista encara um cadáver para dissecar, me deixa frio, um pouco impaciente, porque não é iluminador. Proscrevem a obra a um pseudoreinado da razão e somente a razão vai dar palpite. Aí você vira o idiota da objetividade e acaba produzindo uma coisa estéril, que não leva a ponto nenhum, porque só a razão não adianta”.
GUSMÃO, Marcos & FREIRE, Alberto, “Viva o povo brasileiro pra inglês ler”, Caderno 2, A Tarde, Salvador, 24 abr. 1987.
JUR: “... aqui se fala pouco de mim mesmo. Eu mostro a vocês mais recortes a meu respeito em Londres, onde não sou grande sucesso (risos), do que aqui (...)”.
MG e AF: “Suas obras têm sido objeto de inúmeras teses de mestrado e doutorado. Como você vê estes trabalhos?”.
JUR: “Às vezes, é interessante, quando não é esterilizante. Uma obra literária é uma coisa viva. Por mais que esteja morto o autor e que o livro seja um objeto inanimado, toda pessoa que lê constrói e vive aquilo. Quando encaram o livro como um patologista encara um cadáver para dissecar, me deixa frio, um pouco impaciente, porque não é iluminador. Proscrevem a obra a um pseudoreinado da razão e somente a razão vai dar palpite. Aí você vira o idiota da objetividade e acaba produzindo uma coisa estéril, que não leva a ponto nenhum, porque só a razão não adianta”.
20 de novembro de 1986
“Assim falava Glauber”
1986-11-20
RIBEIRO, João Ubaldo, “Assim falava Glauber”, O Nacional, 20 a 26 nov. 1986, p. 14.
RIBEIRO, João Ubaldo, “Assim falava Glauber”, O Nacional, 20 a 26 nov. 1986, p. 14.
JUR: “O pensamento de Glauber, o mais profundo, visceral e comprometido homem de esquerda brasileiro, não foi compreendido, e essa incompreensão se deveu basicamente a dois fatos (mascarados ainda hoje pela palhaçada em torno do ‘gênio morto por estar adiante de seu tempo’, nova maneira de desvirtuar o que ele fazia e queria):
"a) a ignorância que assola o País;
"b) a colonização que assola o País, a ponto de se recusar qualquer legitimidade ao pensamento autóctone, que não seja sancionado por esquemas importados (...)".
JUR: "No pensamento político de Glauber, um aspecto lhe rendeu mais inimigos e desafetos do que qualquer outro. (...) a sua posição quanto aos militares. A burrice (...) faz equivaler os militares brasileiros a uma classe social. Dentro dessa perspectiva, os militares, que são ou foram, efetivamente, os agentes políticos mais visíveis e mais autoritários ao nível imediato, eram vistos como a coisa a se odiar. Isto, como Glauber disse tantas vezes (...), era uma burrice e uma traição à Pátria. Pois, se os militares têm sido agentes desse ou daquele processo, não são agentes autônomos, nem é contra eles que se deve voltar o furor revolucionário. (...) É um processo muito complexo, do qual um dos subprodutos mais visíveis são as falsas divisões da sociedade brasileira entre facções visceralmente opostas, como militares e civis, padres e não-padres, polícia e não-polícia".
JUR parafraseando Glauber: “... o General Figueiredo devia fechar o Congresso, chamar os verdadeiros intelectuais brasileiros (...) e fazer as reformas no tapa. Só as Forças Armadas, sob a direção de grandes generais (...) é que podem impor a direção do povo brasileiro para o desenvolvimento, a abolição dos privilégios, a consecução de grandeza nacional, porque as Forças Armadas estão agora erradas, brigando, no fundo, contra elas mesmas. O General Figueiredo devia ser como Napoleão: fechar, legislar, fazer em nome do povo brasileiro, por cima do empresariado falsamente progressista, dos intelectuais falsamente revolucionários, dos sistemas políticos falsamente representativos. Eu acredito nisso".
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