16 de junho de 2010

"O Bloomsday nosso de cada dia"

Acorda às oito e trinta da manhã, espreguiça-se, come cereal, toma café, fuma um cigarro, olha e é olhado, beija e é beijado, caminha para o carro, vai para casa, recebe uma mensagem, sorri, responde sorrindo, escreve, vai nadar, almoça, pára na pastelaria, pede um café, discute a situação do país, sai da pastelaria, fuma um cigarro, dá um passeio, volta para casa, escreve, fuma outro cigarro, lê, ouve música, trabalha num texto alheio, come um chocolate com laranja, bebe mais café, fuma outro cigarro, assiste à tarde caindo na noite, dá comida ao gato Ulisses, toma banho, fuma o último cigarro, escreve, lê, passa creme nas mãos, vai para o quarto, tira a roupa, lê, apaga a luz, imagina como seria bom se, pega no sono imaginando como seria bom se, e, em meio a um monólogo inexprimível, sonha que está sendo - e que é mesmo muito bom.