20 de dezembro de 1984

Um futuro aterrador


Os meus catorze anos...

• BATELLA, Juva. 1984. "Um futuro aterrador", Jornal do Brasil, JBzinho, 1º Caderno, 21 dez.





19 de dezembro de 1984

“Com os olhos do povo"

1984-12-19
CASTELLO, José, “Com os olhos do povo — O escritor João Ubaldo e seu novo romance”, IstoÉ, São Paulo, 19 dez. 1984.

Jorge Amado: “Ele é desses escritores que cansaram de tratar o povo de cima para baixo e passaram a deixar que ele agisse livremente em seus livros”.

JC: “Em Salvador, na segunda metade dos anos 70, os dois [João Ubaldo Ribeiro e Glauber Rocha] costumavam ir juntos à casa de Jorge Amado para noites intermináveis de conversa fiada. (...) Ubaldo terminou Viva o povo brasileiro uma semana antes de Amado colocar o ponto final no recém lançado Tocaia Grande. Absorvidos cada um por seu trabalho, telefonavam-se com frequência no fim da noite para trocar ansiedade e impasses”.

JC: “Márcio [Souza] pensa que literariamente o que os une é terem Jorge Amado como pai. ‘Encaramos a literatura como profissão, escrevemos para os leitores e tentamos ouvir a fala popular', explica. ‘Somos os herdeiros de Jorge Amado.' Mas Ubaldo, graças a seu irresistível humor, consegue dar um passo à frente. ‘Ele é o único escritor que conheço que penetra na cabeça popular sem apresentar o povo com um bando de criaturas angelicais’, justifica Márcio [acerca de Ubaldo]”.

FERRAZ, Geraldo Galvão, “Uma festa para os sentidos: um livro feito de sabores, aromas, cores”, IstoÉ, São Paulo, 19 dez. 1984 [matéria interna].

GGF: “E não deixa Viva o povo brasileiro de ter o seu lado de condenação das injustiças e denúncia dos opressores dos pequenos heróis que construíram a consciência nacional (da mesma forma que Jorge Amado, em seu recente Tocaia Grande, exalta os artífices dessa história que não é a oficial)”.

16 de dezembro de 1984

“História de alienados e oprimidos”

1984-12-16
GARCIA, Luiz, “História de alienados e oprimidos”, Livros, O Globo, Rio de Janeiro, 16 dez. 1984.

LG: “Acontece que João Ubaldo de Oliveira [sic] não é apenas um baiano, dizem que de Sergipe como a maioria, que escreve bem e engraçado: não se trata de um sub-Jorge Amado (Jorge Amado, como se sabe, é um super-Jorge Amado, ou seja, melhor e mais relevante, pelo conjunto da obra, do que possa dar impressão qualquer tentativa apressada de rotulá-lo)".

14 de dezembro de 1984

“No caminho das almas do recôncavo baiano"

1984-12-14
MEDINA, Cremilda, “No caminho das almas do recôncavo baiano — jornalista, escritor, Ubaldo Ribeiro está atavicamente ligado a uma literatura de tempos e espaços amplos; persegue as raízes da terra — a Bahia ou o Nordeste das suas origens familiares —, e, ainda que conheça bem os contornos deste mapa, fareja sempre linguagens, hábitos e valores do Brasil mulato”, Magazine, Diário de Notícias, 14 dez. 1984 (republicado, em outro veículo, sem referência, sob o título “Na trilha das almas do Recôncavo Baiano”).

CM: “Sofreu, muitas vezes, com o desprezo de algumas áreas acadêmicas e de crítica, por Jorge Amado, para ele grande escritor brasileiro. Aliás, já atribuiu a esse tipo de crítica metida a requintada a malversação dos recursos nacionais através da subversão de valores, verdadeiro crime contra a brasilidade”.

“No caminho das almas do recôncavo baiano"

1984-12-14
MEDINA, Cremilda, “No caminho das almas do recôncavo baiano — jornalista, escritor, Ubaldo Ribeiro está atavicamente ligado a uma literatura de tempos e espaços amplos; persegue as raízes da terra — a Bahia ou o Nordeste das suas origens familiares —, e, ainda que conheça bem os contornos deste mapa, fareja sempre linguagens, hábitos e valores do Brasil mulato”, Magazine, Diário de Notícias, 14 dez. 1984 (republicado, em outro veículo, sem referência, sob o título “Na trilha das almas do Recôncavo Baiano”).

CM: “Consciente sempre foi de que ‘vivemos num país desconhecido’, de que se mascara a cultura brasileira com uma estética colonizada”.

“No caminho das almas do recôncavo baiano"

1984-12-14
MEDINA, Cremilda, “No caminho das almas do recôncavo baiano — jornalista, escritor, Ubaldo Ribeiro está atavicamente ligado a uma literatura de tempos e espaços amplos; persegue as raízes da terra — a Bahia ou o Nordeste das suas origens familiares —, e, ainda que conheça bem os contornos deste mapa, fareja sempre linguagens, hábitos e valores do Brasil mulato”, Magazine, Diário de Notícias, 14 dez. 1984 (republicado, em outro veículo, sem referência, sob o título “Na trilha das almas do Recôncavo Baiano”).

CM: “Sofreu juntamente com seu amigo primordial, Glauber Rocha, a necessidade da construção de uma 'estética do Novo Mundo'”.

21 de dezembro de 1983

“João Ubaldo Ribeiro: histórias de riso, lágrimas e fantasia”

1983-12-21
PACHECO, Fernando Assis. “João Ubaldo Ribeiro: histórias de riso, lágrimas e fantasia”. JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, ano II, nº 48, Lisboa, Portugal, 21 dez. a 3 jan. 1983.

JUR: “Existe sim uma especificidade baiana. Existe porque nós somos um povo meio esquisito. (...) ... todos somos culturalmente mestiços. Muito fortemente mestiços. Isso significa que os pretos da Bahia, violentados como escravos, durante trezentos anos mantiveram a sua identidade cultural, preservaram a sua língua e domaram o colonizador, obrigaram à sua crença, instilaram nele parte de sua própria humanidade, e hoje o colonizador não se livra mais dessas coisas. Tudo isso à custa de uma tragédia imensa! (...) A Bahia sempre conviveu com tendências conflitantes. Os pretos baianos tiveram de certa forma que esquecer isso de ser preto humilhado, escondido da polícia até para cultuar seus orixás, seus santos, sua religião. E até hoje os baianos não se decidiram, vivem nessa. (...)... mais que hesitação: esquizofrenia. É o que sobretudo confere à Bahia a sua especificidade. A Bahia não é um estado simples. (...) ... não se pode esquecer que Canudos aconteceu na Bahia. Eu acho que a Bahia é o coração esquizofrênico do Nordeste brasileiro. Está no meio do caminho: para baixo, já começa a ser Sul...”.